Opinião: Jorge Damasceno, morador da Ponte Alta

Hoje, cinco famílias da Ponte Alta tiveram suas casas derrubadas. Não eram só casas; eram sonhos, projetos de vida construídos com suor, esperanças e amor. Em um ato que só pode ser descrito como covarde, o DF Legal destruiu lares sem apresentar qualquer ordem judicial. Para quem já enfrenta diariamente as dificuldades da vida, a incerteza de voltar para casa e encontrá-la de pé é um fardo desumano. Hoje, essas famílias não terão onde dormir ou onde sentar para fazer suas refeições.

Essa é a política arbitrária do DF Legal, que age sem transparência, sem justificativas claras, enquanto os moradores da Ponte Alta clamam por regularização. Queremos legalizar, queremos viver com segurança, mas dependemos da boa vontade política para isso. Não somos invasores; somos cidadãos. Lutamos pela regularização fundiária, por dignidade e pelo direito de viver com tranquilidade em um lugar que já chamamos de lar.

Enquanto tratores e máquinas são usados para destruir, as necessidades reais da região seguem ignoradas. Nos últimos dias, os telejornais de Brasília exibiram o caos das ruas da Ponte Alta. As fortes chuvas transformaram vias inteiras em rios, levando cascalho e asfalto, isolando condomínios e impossibilitando a passagem dos moradores. Onde está o aparato público para consertar nossas estradas? Onde estão os recursos para mitigar os alagamentos? A população sofre com a falta de infraestrutura, mas as prioridades parecem estar invertidas.

É revoltante ver o poder público mobilizar tanta força para derrubar casas, mas nenhuma para ajudar a população que está sofrendo. A Ponte Alta clama por regularização, por políticas que respeitem seus moradores. Não queremos viver na ilegalidade; queremos um futuro digno. Não queremos tratores destruindo nossos sonhos; queremos máquinas construindo pontes para uma vida melhor.

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do Ponte Alta News.

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